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março12

Demanda aquecida deve favorecer alta na produção mundial de leite

A demanda mundial de lácteos tem se elevado consideravelmente nos últimos anos e esse cenário, consequentemente, tem impulsionado a produção global de leite. Os últimos dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que a produção mundial de leite cresceu mais de 50% nas últimas três décadas, fechando 2011 com 745,5 milhões de toneladas. A estimativa é de que 2012 e 2013 também apresentem alta no volume produzido, totalizando, respectivamente, 767,4 milhões de toneladas e 784,4 milhões de toneladas. Projeções a longo prazo, também da FAO, apontam que, em 2022, a produção mundial pode chegar a 895 milhões de litros, expressivo aumento de 20% em relação ao volume de 2011.

 

A expansão na demanda mundial por lácteos é resultante do aumento na renda e do crescimento populacional, aliados à ocidentalização do hábito alimentar e ao maior acesso dos países em desenvolvimento às facilidades da cadeia do frio. O incremento da produção de leite tem ocorrido com mais intensidade no Sul da Ásia, pela elevação do consumo per capita em países altamente povoados naquela região. Entretanto, tais nações ainda são muito dependentes de compras externas para se abastecer. China, Emirados Árabes Unidos, República Islâmica do Irã, Arábia Saudita, Indonésia, República da Coreia, Japão, Malásia e Omã devem, assim, despontar como os principais destinos de lácteos no mercado internacional nos próximos anos. Os maiores vendedores de lácteos – Estados Unidos, União Europeia, Nova Zelândia, Austrália e Argentina – também devem aumentar suas exportações, especialmente para manteiga, queijos e leite em pó desnatado. 

 

Ainda segundo a FAO, a perspectiva é de que a produção leiteira mundial cresça a taxas de 1,8% ao ano nesta década – abaixo do praticado nos anos anteriores, de 2,3% a.a. Essa desaceleração é justificada pela escassez tanto de água e quanto de áreas de pastagens adequadas para as vacas produtoras de leite nos países em desenvolvimento, os quais são responsáveis por mais de 70% da produção mundial de leite. Ainda assim, nestes países, o crescimento anual pode se manter acima da média mundial, em torno de 2,5% a.a., já que o aumento da demanda de seus mercados domésticos e as barreiras de importação favorecem a produção interna. Já nos países desenvolvidos, a previsão é de que o incremento na captação seja de 1% a.a. Deve-se ressaltar que o aumento da produção nos países em desenvolvimento está atrelado principalmente à expansão no número de animais, enquanto que, nos países desenvolvidos, o número de animais tem se reduzido. Portanto, o fator que tem propiciado a produção é o aumento da produtividade (leite/vaca).

 

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em 2012, a Índia foi o maior produtor de leite do mundo, seguido pelos Estados Unidos e China. Considerando-se os dados oficiais mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a produção brasileira, os 33 bilhões de litros de leite captados em 2012 colocam o Brasil em quarto lugar no ranking dos maiores produtores de leite do mundo daquele ano, na frente da Rússia e da Nova Zelândia. Entretanto, a posição brasileira no ranking mundial pode mudar para os próximos anos. 

 

O IBGE prevê que a produção leiteira nacional de 2013 feche em 35 bilhões de litros, um salto de 6% em comparação ao ano anterior. Tal resultado pode colocar o País em posição ainda mais alta no ranking mundial de produção leiteira. Contudo, muitos desafios em relação à remuneração do produtor e aos preços dos lácteos devem se impor neste ano, nacionalmente e internacionalmente – no Brasil, o clima adverso (seco e quente) nas primeiras semanas de 2014 é um fator prejudicou as pastagens, principalmente do Sul, Sudeste e do Centro-Oeste. Além disso, a FAO salienta o impacto que a alta mundial nos custos com grãos, oleaginosas, energia e mão de obra pode ter nos preços dos lácteos no mercado internacional – o que sugere cautela e planejamento em longo prazo para superar as oscilações de preços e garantir boa rentabilidade para 2014. 

 

As informações são do Boletim do Leite, uma publicação do CEPEA – ESALQ/USP.

 

 

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