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julho03

Momento das informações e expectativas no mercado lácteo

Esta época do ano é pródiga em informações e expectativas dissonantes na cadeia láctea brasileira. De um lado, há uma grande expectativa, por parte dos produtores, de uma subida nos preços pagos pelo leite, afinal estamos em plena entressafra do Sudeste e do Centro Oeste e apenas começando a safra dos estados do sul do país. Esta expectativa é reforçada pelo momento das informações do mercado: até que não se tenha o indicador de preços de junho, o mercado trabalha com a última informação disponível, que é de entressafra causando algum aumento de preços e expectativa de novas subidas.

 

 

Por outro lado, a indústria, “plugada” em negociações semanais que mostram preços em queda no atacado pelos seus principais produtos (principalmente o leite UHT, que teve pico de preços em abril e, desde então, vem caindo no atacado), quer, ao mesmo tempo, preservar volumes de compra de leite de produtores diretos e transferir aos fornecedores a baixa que vem tendo pelo seu produto há quase 2 meses.

 

 

Cria-se então um enorme desconforto entre indústrias e produtores: um está vendo o mercado subir, suportado pelo indicador de preços do mercado, que reflete um leite entregue no mês anterior. Para o outro, a realidade é bem diferente e os sinais são de claro enfraquecimento do mercado.

 

 

Este é um sério problema que ainda persiste na cadeia láctea brasileira: muitas vezes o fluxo e o “timing” das informações divulgadas são diferentes para os diferentes agentes. Este desalinho vem da própria estrutura de funcionamento do mercado: o leite fornecido durante o mês de maio (há quase 2 meses!) é pago durante o mês de junho (no início do mês para algumas empresas, mas no fim do mês para muitas delas). Em função deste prazo de pagamento (que pode chegar a quase “25 dias fora mês”, usando o linguajar do mercado), os indicadores de preço referentes ao leite fornecido no mês de maio só podem ser fechados e divulgados no final de junho/começo de julho. Está, portanto, estabelecida a confusão!

 

 

 

Além de indicações interessantes como o fato do leite spot ter variações (para cima e para baixo!) muito mais fortes do que o leite ao produtor (quando baixa, o leite spot chega a ser mais barato do que o leite ao produtor, por mais estranho que isso possa parecer…!) e a constatação de que há uma correlação não desprezível entre estes preços ao longo do tempo, verifica-se que há um intervalo, de 1 a 2 meses, entre a queda no spot (que, via de regra, acontece antes) e o início da queda dos preços ao produtor.

 

 

Considerando que, segundo o levantamento do MilkPoint Mercado, o spot começou a cair na primeira quinzena de maio (há 4 quinzenas!), pode-se, então, considerar provável um início de recuo nos preços médios aos produtores no pagamento de junho (pelo leite fornecido em maio). Ou seja, a média Cepea de junho deve vir com uma baixa de preços ou, na melhor das hipóteses, com valores estáveis em relação a maio.

 

 

É claro que, como diz o ditado, “expectativa e time de futebol, cada um tem o seu”, mas é importante entender as informações do mercado e, principalmente, o seu “timing”. Certamente ajudará nas já não fáceis relações entre produtores de leite e indústrias processadoras.

 

 

Por Valter Bertini Galan (MilkPoint) 

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