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maio16

Quando os preços globais dos lácteos se recuperarão?

Os preços internacionais do leite em pó desnatado – principal produto lácteo exportado pelos Estados Unidos – caíram para seu menor nível em mais de 12 anos no verão passado e permanecem baixos, afetados pelos fortes estoques globais desde 2009.

O mercado de lácteos foi afetado durante mais de 18 meses pelo excesso de oferta global, mas as condições de mercado sugerem que a recuperação ainda vai demorar um pouco. O mundo continua com excesso de estoque e uma combinação de maior produção (quase totalmente na Europa, mas com uma parte dos Estados Unidos também) e incertezas econômicas combinadas com menores preços do petróleo estão prejudicando a demanda de muitos dos melhores compradores.

Do lado da oferta, a produção de leite da União Europeia (UE) aumentou mais de 5% durante os primeiros dois meses de 2016 (ajustados para o dia 29 de fevereiro) e há evidências inconclusivas que sugerem que o bloco restringiria a produção conforme avança a primavera. Os esforços dos produtores para reduzir a produção no começo de 2015 antes de a cota de produção expirar continuam reforçando as comparações com o ano passado sobre a produção de leite.

Apesar do declínio nos preços ao produtor e dos protestos dos produtores em várias cidades da Europa, muitos produtores eficientes continuam tendo rentabilidade e mesmo os produtores que não são rentáveis continuam produzindo leite para manter o fluxo de caixa. Muitos produtores e processadores investiram na expansão da capacidade em antecipação à remoção da cota de produção de leite em abril do ano passado e precisam manter a produção em níveis mais altos para apoiar os investimentos.

Em alguns casos, as cooperativas ofereceram aos produtores suporte por meio de programas de empréstimos ou pagamentos de bônus para reforçar o baixo fluxo de caixa e manter a cadeia funcionando. E a UE impulsionou os pagamentos diretos aos produtores dobrando os volumes de intervenção (rede de segurança de compras do governo da UE) para 218.000 toneladas para leite em pó e 100.000 toneladas para manteiga a partir do meio de abril.

Na Oceania, embora as estimativas de uma queda na oferta fossem mais agudas, essa ainda está aquém das expectativas. Para a estação de 2015/16, a produção de leite da Nova Zelândia caiu menos de 2% até março – menos que a previsão de 5-10% dos analistas. A produção de fevereiro (ajustada para o dia 29) na verdade caiu 2% com relação ao ano anterior. Na Austrália, a produção de leite deverá declinar 1-2% em 2015/16, devido a uma combinação de clima quente e seco e um declínio nos preços do leite.

Devido à produção resiliente, os estoques do produto continuam sendo construídos na cadeia de fornecimento. Nesse ano, os estoques de intervenção da UE de leite em pó desnatado alcançaram o topo de 140.000 toneladas nos primeiros quatro meses de 2016, adicionados às cerca de 150.000 toneladas já nos depósitos. Os estoques privados dos Estados Unidos de queijos, manteiga e leite em pó estão bem acima dos níveis típicos de volume. Os estoques massivos da China estão se movendo para níveis mais administráveis, mas os compradores de lácteos em outros importantes países importadores aumentaram os estoques devido aos preços favoráveis do ano passado, mantendo um volume confortável.

Do lado da demanda, os preços do petróleo continuam criando incertezas econômicas para os produtores de petróleo e importantes importadores de lácteos: Oriente Médio, Argélia, Nigéria, Indonésia e Venezuela. As questões sobre a economia da China estão criando preocupações sobre sua capacidade de crescimento e efeito de contágio no Sudeste da Ásia e outros locais. O Banco de Desenvolvimento da Ásia recentemente reduziu sua estimativa para crescimento econômico da Ásia para 5,7% em 2016, o menor número desde 2001.

Como esses fatores de oferta e demanda se aglutinarão nos próximos meses eles determinarão quando veremos uma recuperação de prazo mais longo do mercado. Dados os fortes estoques que precisam ser trabalhados, a expectativa não é de um movimento sustentado e significativo dos preços antes de 2017. Se a UE reduzir a produção de leite mais rápido ou a China aumentar a velocidade de importações as previsões podem melhorar, mas não vemos isso ocorrendo em curto prazo a menos que questões climáticas afetem a produção durante o verão.

À medida que essas condições de excesso de oferta continuem, o ponto crítico para se lembrar é que, apesar desse ciclo doloroso, os fatores fundamentais de longo prazo que têm direcionado os crescimentos globais nos lácteos no passado permanecem fortes. Não é uma questão de “se” veremos uma reversão do ciclo do mercado, mas sim, de “quando”.

O artigo é de Tom Suber, para o Conselho de Exportações de Lácteos dos Estados Unidos. 

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